30
de
abril
CombustÃvel ou alimento?
"Frenesi de biocombustíveis" agrava crise alimentar global, dizem analistas
Folha On Line
da France Presse, em Washington
O "frenesi dos biocombustíveis" e outras políticas equivocadas levaram à crise alimentar global, na qual o consumo de arroz supera a produção e ameaça 1 bilhão de pessoas de desnutrição, disseram especialistas nesta terça-feira.
Pesquisadores na área de agricultura internacional advertiram que os agricultores terão de duplicar a produção global de alimentos até 2030 para satisfazer a crescente demanda. Além disso, acrescentam, os países deverão impor uma moratória sobre o álcool e o biocombustível produzidos a partir de grãos, para conter a disparada dos preços do milho, arroz, soja e trigo.
"Pela primeira vez, é claro que estamos consumindo mais arroz do que se produz globalmente", declarou Robert Zeigler, diretor do International Rice Research Institute, com sede nas Filipinas.
"Em perspectiva, isso é insustentável", disse ele aos jornalistas em uma teleconferência. "Temos uma demanda que cresce sem controle, e a demanda é estimulada pela população (e) pelo crescimento econômico".
O diretor-geral do International Food Policy Research Institute dos Estados Unidos, Joachim von Braun, fez referência a "importantes fracassos nas decisões políticas", no centro da crise.
Um dos maiores problemas foi a equivocada resposta aos altos preços da energia com a promoção de biocombustíveis à base de grãos, disseram os especialistas consultados pela AFP.
"Todos conhecemos o frenesi de biocombustíveis que distorceram os mercados de grãos", comentou Zeigler.
Ele e Von Braun apóiam uma moratória sobre a produção de combustíveis à base de grãos, ou derivados de oleaginosas, mas não para os produzidos a partir da cana-de-açúcar.
"Nossos modelos de análise sugerem que, se for determinada uma moratória sobre biocombustíveis em 2008, pode-se esperar uma redução de preços do milho de cerca de 20% e do trigo, de 10%, em 2009 e em 2010", afirmou Von Braun.
Para os especialistas, outra má política foi a proibição de exportação de grãos em países como o número dois de arroz, o Vietnã, que não fará novos contratos de venda até o final de junho, apesar de uma colheita bem-sucedida. Com isso, o governo vietnamita espera assegurar o abastecimento de sua população e enfrentar a inflação.
Como fazer o tal do desenvolvimento sustentável se nem os alimentos (essencial para o ser humano) consegue bater a concorrência milionária da produção do biocombustível, a última moda no mundo? Quem dirá se conseguiremos fazer com que esses empresários desistam de seus negócios, dematando e queimando a mata, só por conta de floresta que nem "parecem" estar proporcionando nada de bom para eles.
As vezes fico pensando se toda essa luta pela natureza não é um tanto quanto utópica. Como lutar contra essa ganância pelo capital? A solução seria acabar com tudo e começar tudo de novo. Radical, não?
Mas como já citei em outro post, a história ensina, e por ela já vimos diversas civilizações que entraram em colapso por sí próprias. Vamos ver até onde chegaremos desse jeito.


Comentário por Henrique — 30 de abril de 2008 (12:21)
Otimo post. Esses assuntos so entram em pauta quando é de interesse de paises ricos.Falam disso como se a fome fosse uma novidade Hoje ouvi uma frase boa do Lula que perguntou “por que entao os paises ricos nao acabam com os subsidios agricolas?”.
Bjs Henrique